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A EXAUSTÃO X PRAZER E ESFORÇO X RESULTADO

Posted by João Lopes on 22:59 in ,
   No início da década de 1990, eu ainda era um jovem de 21 anos, quando trabalhava como promotor de vendas em uma multinacional, me peguei assombrado comigo mesmo por estar exausto e ao mesmo tempo super satisfeito. Era uma sensação de prazer que até então não havia experimentado, um misto de esgotamento e felicidade e meu espanto era porque eu estava sentindo pela primeira vez, de forma consciente a satisfação de estar cansado por um dia de trabalho produtivo, tipo: “nossa estou virando o meu pai”.
   Parece bobagem, mas aquele era meu primeiro emprego formal e os aprendizados foram de fundamental importância para a minha formação profissional, os colegas de trabalho, os ‘chefes’ e as minhas descobertas. Lembro-me do meu chefe falar que via em mim muito potêncial e eu dentro da minha ignorância me perguntava: “Onde ele vê tudo isso em mim?”.
   Vi-me analisando aquele sentimento e entendendo o semblante do meu avô/pai ao final do dia. A felicidade que ele sentia no cansaço de um dia trabalhado para manter uma família grande.
Mas por que estou escrevendo isto? Porque hoje, aproximadamente uns 20 anos após esta magnífica experiência e a descoberta do prazer na exaustão física por um dia de trabalho produtivo, me vi no mesmo gozo pelo simples fato de ter, enfim, após alguns meses de aborrecimento e inquietação com alguns vazamentos na torneira da pia e no chuveiro do banheiro aqui da minha casa, eu mesmo ter ido até o centro da cidade, comprado o material e feito o trabalho de manutenção (pelo qual já havia até contratado um ‘profissional’ indicado pelo condomínio e não ter ficado tão bem feito). Fiz e ainda, como meu avô/pai fez inúmeras vezes, envolvi meu filho nesta tarefa no intuito de transmitir a ele um pouco do que ficou daquele grande homem em mim.
   À noite fui me deitar com aquela satisfação dentro de mim e comentei com minha esposa: “Hoje vou dormir sem me incomodar com o pinga pinga do chuveiro e da pia!”. No entanto, logo percebi que o contentamento não era só pela manutenção dos vazamentos, mas pelo fato de ter eu mesmo resolvido um problema, um trabalho manual que eu mesmo fui capaz de executar. Sabe aquela sensação de FUI EU MESMO QUE FIZ? Pois é!
   Trazendo esta experiência pessoal para a vida profissional, noto que nosso trabalho tem que ter uma razão a mais que meramente a meta. Tem que ter um objetivo que é o do sentimento de vitória pessoal por ter realizado a tarefa – e quanto mais difícil ela for, melhor será o sabor dessa vitória.
Assim, penso que temos que desenvolver em nossas equipes a capacidade encontrar a satisfação em vencer a si mesmo e a cada tarefa executada.
   A satisfação faz com que o cansaço seja uma espécie de troféu pelo esforço que valeu a pena, ele esta ali para mostrar que não ficamos parados e que isto trouxe o resultado.

Por João Lopes em 12 de janeiro de 2013

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